quarta-feira, dezembro 28, 2005
J'aime Cerqueira
Uma frase-chavão da nossa esfera bolística é a seguinte:"Passou ao lado de uma grande carreira."
Desde o nosso vizinho do lado até ao Sérgio Leite ou a João Manuel Pinto, esta frase já baptizou muitos Gils, Semedos ou Jean Claude Van Dammes do Mundo. Porém, esta tem um destinatário natural, aliás, um dono.
Jaime Cerqueira.
O Zidane de Amarante levava toda uma squadra á pala da sua monocelha orgulhosa, farta, e inspiradora de confiança. Uma cidade á pala da sua cremalheira sorridente, que espalhava alegria pelos quatro cantos do balneário.
Diz-se à boca cheia (de couratos e bolinhos de bacalhau, provavelmente) que Diego Maradona proferiu uma vez sobre Jaime o seguinte ditame: "Quién??"
Palavras que encheriam de orgulho qualquer um, mas Jaime continuou a porfiriar. Lutou, trabalhou e assumiu-se como um centro-campista de excelência de baixo rendimento, capaz de fazer inveja a um Walter Paz ou Paulo Almeida.
Poderia ter sido picheleiro. Poderia ter sido trolha. Poderia ter sido segurança de discoteca. Mas nasceu para jogar à bola. E bem.Pelo menos algumas vezes.
Jaime transbordava talento. Jaime era inspiração. Jaime era repentismo. Jaime era confiança. Jaime era liderança. Jaime acabou a carreira no Amarante, qual filho pródigo. Jaime treinou o Aparecida,após pendurar a chuteirinha da moda.
Jaime passou ao lado de uma grande carreira.
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